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Cirurgia Ortognática



A cirurgia ortognática é um dos procedimentos mais fantásticos da especialidade de Cirurgia Bucomaxilofacial. A visão de uma maxila "sendo baixada", após uma osteotomia Le Fort I bem realizada, é uma das cenas mais incríveis vivenciadas em nosso dia-dia, causando furor naqueles que assistem à cirurgia mas não estão habituados com a mesma (como médicos anestesistas, equipe de enfermagem e ortodontistas). E realmente, a ortognática é uma cirurgia muito complexa, que produz mudanças funcionais e estéticas profundas aos pacientes, que exige um planejamento clínico e laboratorial acurado, demanda horas de estudo do caso e outras tantas horas de atendimento hospitalar e ambulatorial. A curva de aprendizado para realização de um planejamento adequado e uma cirurgia com grande precisão é grande e demorada, justamente pela grande complexidade dos procedimentos. Por isso, a formação do cirurgião deve possuir carga horária elevada e dedicação quase completa daqueles que pretendem atuar na especialidade realizando esta cirurgia.

Atualmente, percebo muitos residentes recém chegados de outros serviços que dão uma ênfase exagerada a aspectos como análise cefalométrica, traçados predictivos, cirurgias de modelo, ou mesmo planejamento virtual. Em meu conceito, a essência do planejamento adequado está perdida quando valores como a análise facial dinâmica e verificação das queixas e anseios dos pacientes são deixados de lado. Em minha opinião, formada ao londo destes 14 anos atuando efetivamente como Cirurgião Bucomaxilo é que o primeiro passo para o sucesso cirúrgico é entender as queixas dos pacientes, estéticas ou funcionais, ou a combinação destas (o mais comum). A partir disto, devemos analisar os aspectos do planejamento vislumbrando ganhos e perdas em diferentes possibilidades de movimento, realização de cirurgia combinada (maxila e mandíbula) ou não, e uso da mentoplastia para benefício cirúrgico final. A obtenção desta análise será sempre primordialmente clínica, avaliando o paciente em posições estáticas e dinâmicas, seus traços e medidas em tecido mole, suas características funcionais relativas à disfunção de atm, roncos, presença de tecido gorduroso em excesso em regiões como "papada", posição da base e ponta do nariz....... Somente a partir desta análise inicial poderemos chegar a um posicionamento quase definitivo dos movimentos a serem realizados. Após isso, então, estaremos prontos para usar ferramentas como o planejamento virtual, análise cefalométrica, realização de cirurgias de modelos, com intuito de refinar nosso planejamento inicial e verificar a congruência com as informações previamente colhidas na análise facial.

Esta é a maneira antiga como aprendi a fazer meus planejamentos e sempre obtive bons resultados, baseados na satisfação apresentada pelos pacientes no pós-operatório. Hoje mantenho o ensino dos residentes desta forma, associado aos ganhos proporcionados por softwares como o Dolphin, mas nunca abandonando as bases sólidas da avaliação das queixas do paciente e dos suas características dinâmicas.

Uma Cirurgia Ortognática de sucesso inicia-se num Planejamento de Excelência.


Rodrigo Calado Nunes e Souza

Cro 63349/CRM 163814


 
 
 

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